quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A MALDIÇÃO DOS TEMPLÁRIOS


Sobre eles, entre lendas, mentiras e verdades, já foi dito tudo. A quem interessar, aqui tem um bom resumo.

Como sempre, neste Diário, tento evitar pontos polêmicos indo direto aos fatos: eles existiram, lutaram, mataram e foram mortos; serviram a uma causa que acreditavam; de pobres se tornaram ricos e, quando desviaram rota e feriram interesses poderosos, foram exterminados (?).

Talvez se pudesse acrescentar apenas que hoje os turistas e peregrinos, incluindo os não católicos, podem passear, visitar e bater foto em lugares sagrados para o cristianismo em Jerusalém. O resto é História.

ENTRE A CRUZ E A ESPADA.

A Inquisição não queimou apenas bruxas, mas fez também churrasquinho, entre outros, de Jacques DeMolay e Giordano Bruno, este último, frade dominicano, cuja estátua no lugar em que foi queimado, no Campo dei Fiori, em Roma, mereceu esta foto com meus filhotes.


Feita esta introdução, vamos ao que interessa.

Desde que o mundo é mundo, aqueles que não sabem fazer nada, não têm talento algum, são a quinta-essência da mediocridade, da maldade e da inveja, destroem ou tentam destruir as obras e conquistas verdadeiras de gênios e pessoas que trabalham, estudam e alcançam resultados. Acontece nas empresas, nos locais de trabalho, na política, na música, na vida.

Acho que não precisa citar Rui Barbosa e seu famoso discurso sobre o triunfo das nulidades, da desonra, da injustiça e dos maus. Todo mundo conhece.

Os italianos têm uma bela coleção de maldições que lançam com a língua. Já se tornaram tão comuns que as pessoas nem pensam mais no significado, mas são realmente fortes. Eis algumas:

Mannaggia (derivato di "mal n'aggia", deformazione di "male ne abbia"): que haja o mal (em ti ou em algo). Hoje usado praticamente como "caramba!" ou outro tipo de "cará..." e "pô..." em Português.

Mortacci tua: "gli indegni defunti tuoi, della tua famiglia" (malditos os defuntos teus, da tua família).

Mesmo sabendo que, dependendo da situação, a expressão pode ser de surpresa e positiva, não gosto de ouvir ninguém falando, muito menos meus filhos.

Aos que merecem uma maldição pelo mal que fazem ao mundo, aos outros, aos inocentes, principalmente aos que não tiveram oportunidade de nascer, a melhor é aquela lançada por Jacques DeMolay contra o Rei Filipe IV, o Belo, o Papa Clemente V, Guillaume de Nogaret e algozes, bem retratada no filme "Les Rois Maudits", com Gerard Depardieu.

Quarenta dias depois, Filipe e Nogaret recebem uma mensagem: "O Papa Clemente V morrera em Roquemaure na madrugada de 19 para 20 de abril, por causa de uma infecção intestinal".
Rei Filipe IV, o Belo, faleceu em 29 de novembro de 1314, com 46 anos de idade, quando caiu de um cavalo durante uma caçada em Fountainebleau.
Guillaume de Nogaret acabou falecendo numa manhã da terceira semana de dezembro, envenenado.
Após a morte de Filipe, a sua dinastia, que governava a França por mais de 3 séculos, foi perdendo a força e o prestígio. Junto a isso veio a Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos, a qual tirou a dinastia dos Capetos do poder, passando para a dinastia dos Valois.
Esta série de eventos formam a base de "Les Rois Maudits" ("Os Reis Malditos"), uma série de livros históricos de Maurice Druon.
Ironicamente, Luís XVI de França (executado em 1793) era um descendente de Filipe, O Belo, e de sua neta, Joana II de Navarra.
Afirma-se ainda que quando a cabeça do rei caiu na cesta da guilhotina, um homem não identificado se aproximou, mergulhou a mão no sangue do monarca, sacudindo-a no ar e gritou: "Jacques DeMolay, foste vingado!"
Verdade? Lenda? Decida cada um, mas pensando bem antes de fazer o mal.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MARINA, VOCÊ SE PINTOU!

O formato da cabeça não nega: cearense. Marina Silva, vivida e criada na floresta amazônica, pobre e analfabeta boa parte da vida.

Admiro a inteligência e onde conseguiu chegar essa mulher em um país de poucas oportunidades.

Assisti pelo YouTube, completo, mas em fatias, o último debate entre os candidatos. Não entrando no mérito do programa de governo de cada um, que é o que de fato interessa e importa, Marina tem carisma e boa oratória, ao contrário da candidata do governo que apresenta séria dificuldade em sincronizar pensamento e palavra. O candidato da Avenida Paulista fala bem o velho discurso de sempre. Não é novidade.

Não pretendo tratar aqui da pessoa pública e da candidata que bagunçou as eleições 2010, mas de uma história que ela contou já como seguidora do protestantismo. No video abaixo, o relato de como, no passado, os vitrais e afrescos das igrejas e catedrais serviam, como gibis, para evangelizar pessoas que não sabiam ler. Entre eles, os da Cappella Sistina. Continuo depois.


Algumas pessoas consideram a protagonista fundamentalista e fanática religiosa. Quem pesquisar no YouTube vai encontrar videos como este acusando a então Senadora de ter engavetado um projeto dos irmãos de seita que obrigava toda biblioteca pública a ter um exemplar da Bíblia, pois, segundo ela, contrária ao projeto, todas as religiões têm o mesmo direito.

No meu modesto e insignificante ponto de vista, tal projeto poderia ser melhorado e ampliado, mas a Bíblia seria mesmo importante em todas as bibliotecas não somente pelo caráter religioso, mas por ter sido o primeiro livro impresso por Gutenberg. Isso faz parte da história da civilização.

Página da Bíbla de Gutenberg
O primeiro livro impresso.

Além do mais, a palavra Bíblia tem relacionamento direto com a palavra Biblioteca: conjunto de livros.

Vamos adiante.

Acho absolutamente linda a Catedral de Fortaleza. Dentro, durante a noite é estranha, mas durante o dia, com aquele sol cearense que brilha o ano todo, ela é totalmente iluminada e decorada exclusivamente pelos vitrais. Fiz algumas fotos de quando meus Corais ali cantavam. Infelizmente a minha máquina fotográfica, na época, não era boa como a que tenho hoje, mas dá uma idéia.

Catedral de Fortaleza, CE - Brasil

Nave vista do local do Coro

Altar

Local do Coro

 Local do Coro

Vitrais no local do Coro da Catedral de Fortaleza

Agora, algumas fotos com os "quadrinhos" de Michelangelo, na Cappella Sistina, que ajudaram a então analfabeta garota da floresta a conhecer a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse.

Local do Coro na Cappella Sistina.
Meu filho, na fila do meio, é o 3° da D/E de quem vê a foto.

Os nomes importantes de quem cantou e atuou aqui
estão registrados nos livros de História da Música.

Gênesis: A criação de Adão

Apocalipse: Juízo Final

Legal, né? Hoje é fácil fazer disso tudo uma Geni, aquela do Chico Buarque, mas foram esses mais de 2000 anos de história, permeados de sangue, pecado, horror e santidade que permitiram chegar aos dias de hoje a Bíblia e o que ainda resta do que se costuma chamar "cristianismo".

Os Templários e Felipe, o Belo, que dariam um pouco mais de assunto aqui, deixo para depois, afinal, este post foi para Marina, que, embora acolhida e nutrida por freiras no passado, hoje é nutrida e nutre pastores; embora alfabetizada pelos militares (MOBRAL), atuou no PT (ninguém é perfeito, tudo é relativo e talvez por ser o avesso do avesso ela seja o que é),  se pintou bem no cenário politico brasileiro. Se não carregar muito na maquiagem e continuar dosando Maquiavel, no futuro, sou crente que chegará lá!

Enquanto isso, o Brasil decidiu, no 1° turno, que uma das reprises de 8 anos do PT ou PSDB "vale a pena ver de novo" e terá que escolher uma delas, no 2° turno, para os próximos 4 anos que, desejo de coração, sejam afinados e harmoniosos para todo o povo brasileiro.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

NIGRA SUM

"Dark Am I, Yet Lovely" (Nigra Sum Sed Formosa")

Verdade que certas coisas na vida por serem tão belas, emocionantes e artisticamente transcendentes não têm preço. Um desses raros momentos musicais, para mim, foi ouvir "Nigra Sum", de Pablo Casals, com os Pueri Cantores della Cappella Sistina.

Este post se tornaria talvez chato e pesado se eu tentasse explicar a letra, principalmente no que se refere ao "Negra sou, porém formosa", inscrição comum em imagens de Maria negra espalhadas pelo mundo que, aliás, considerando a região geográfica onde ela nasceu e viveu, faz mais sentido que a Maria branca, loira, de olhos azuis. Quem tem a mente aberta e se interessar, pode pesquisar e estudar o texto bíblico em Latim disponível neste link. Depois, se vasculhar a Internet, encontrará desde protestos racistas até análises profundas e equilibradas sobre a origem, adaptação e significado de tão belo "cântico dos cânticos".

Transcrevo abaixo a forma que consta na partitura de Pablo Casals, com tradução livre e básica para o Português.

Nigra sum, sed formosa, filiae Jerusalem.
(Negra sou, porém formosa, filhas de Jerusalém.)
Ideo dilexit me rex et introduxit me in cubiculum suum et dixit mihi:
(O rei se alegrou em mim e me conduziu nas suas câmeras e me disse:)
Surge et veni, amica mea.
(Levanta e vem, formosa minha.)
Jam hiems transiit imber abiit et recessit.
(O inverno já passou e a chuva acabou.)
Flores apparuerunt in terra nostra,
(Flores aparecem na nossa terra)
Tempus putationis advenit.
(E o tempo de renovação é chegado.)
Aleluia!

No video certas partes da letra são repetidas quando cantadas. Precisa um pouco de atenção para não se perder ao tentar acompanhar texto e canto. A música inicia em torno dos 05:20 minutos. Quem quiser ir direto ao ponto, basta apertar "play" e "pause", esperar carregar e correr o cursor até o tempo indicado.

O segundo garoto na primeira fila, da direita para a esquerda de quem assiste, é "meu filho amado em quem me comprazo", responsável, com os colegas de naipe, pelos agudos.


Para todas as outras coisas da vida existe o cartão de crédito.

sábado, 18 de setembro de 2010

CIDADE-PRESÉPIO

Em curto espaço de tempo tratei dela em 3 posts contando este que será o último (por enquanto). Gosto dela, isso (Freud explica).

É cantada em verso e prosa pelos habitantes como “cidade-presépio”. Se não me engano, tem algo relacionado com a posição geográfica em colina, mas, sinceramente, não sei nada além disso.

Soube que estão tentando reformar igrejas e capelas da cidade e, para isso, começaram a fazer campanha. Uma delas é com a padroeira peregrinando nas capitais e cidades vizinhas em busca de recursos. Penso que depois os sacerdotes deverão pedir que sejam generosas as esmolas nas celebrações dominicais (não é comum fiel católico pagar dízimo e dar ofertas como a da viúva do livro de Marcos 12,41-44), contatar o IPHAN e assim por diante. Quanto tempo vai levar isso?

Que tal agora uma viagem onírica para tentar agilizar o processo? Vamos? Aperta o cinto.

Se não neste, no próximo Natal, na parte mais estreita do maior rio do mundo, o primeiro e único presépio indígena do planeta!

Sente o clima...

Em tamanho natural, uma oca ou uma típica palafita da Amazônia, de tábua e palha, porém bem construída, inserida em uma paisagem criada artificialmente e ornamentada com árvores, plantas, flores e animais da floresta. Dentro, imagens indígenas e de animais em tamanho natural.

Sei, sei, a horda “politicamente correta” vai estrilar: “Blasfêmia e ofensa à cultura indígena!" Calma... vamos adiante... deixa eu terminar.

Maria, uma bela índia virgem de 15 anos - idade que tinha na época segundo os estudiosos - talvez não possa estar de tanga na cena, pois poderá causar desconforto a algum visitante, além de tornar ainda mais difícil e cruel a castidade do tapuio S. José. O bom senso recomenda que ambos estejam cobertos por um manto de juta, pena ou o que seja, ao lado da manjedoura e do curumim sagrado.

Estrela na fachada, boi, cavalo, carneiros, bodes e, no lugar dos pastores, caboclos vindos da floresta andando ou remando em fictícios igarapés. O Espírito Santo seria uma arara-azul e os reis magos, pajés. Os presentes. Ouro, a floresta tem. Incenso, também. Mirra, mirra... o pajé criou. Estão todos? Não. Falta um. Mas primeiro falemos de “blasfêmia e cultura indígena”.

Temos Maria branca e negra. Algum problema em ter Maria índia? Ah! A cultura indígena...

A oposição (que um político que conheci dizia ser formada de “tupamaros”) vai argumentar que os índios adoram o sol e foram massacrados pelos jesuítas e aculturados pelo Frei Bento, na aldeia dos Tiriós.

Crianças... Javé, Jesus, Sol, Buda, Maomé, Alá e todas as demais entidades místicas são a síntese de um único pensamento humano: “Se existe um relógio, existe um relojoeiro”. Eu adaptei assim: “Se existe uma orquestra harmoniosa e afinada, existe um Maestro. Basta com as divisões. É a esse Maestro Universal - que cada um que acredita chama como prefere - que o presépio rende homenagem. Importante é o resumo dos mandamentos: “Amar o próximo como a si mesmo”. Difícil. Uma paulada na moleira, mas esse deve ser o objetivo humano para fazer deste mundo um reino de paz. E foi esse amor ao próximo que fez o Frei Bento deixar o conforto da Alemanha e dedicar aos índios uma inteira vida na floresta. Agora que ficou velho e foi embora, até onde eu sei, não deixou nenhuma criança traumatizada nem muito menos loira, de olhos azuis e apreciadora de boa cerveja. Mas dessa grande maioria anônima de santos vivos que fazem a Igreja ninguém fala. O espaço da mídia é reservado para a minoria pecadora.

Eu sugiro, então, acrescentar a imagem do Frei Bento, de batina e sandálias franciscanas, caminhando na floresta em direção ao presépio. Seria uma singela homenagem a esse Sacerdote. Em outros tempos poderia segurar a mão de uma cunhantã, mas, considerando o cenário atual, talvez seja melhor ele caminhar sozinho.

- Qual a conexão desse presépio com a reforma das igrejas? - Turismo. Verba. Dinheiro!!!

Tupamaros: - Exploração da e da miséria do povo! - Não, queridos... turista não é pobre nem miserável. É turista!

Alguém consegue imaginar quantas moedinhas são lançadas por dia na Fontana di Trevi em Roma e o destino delas? Milhares! São recolhidas e enviadas para a Caritas Diocesana que transforma migalhas em um banquete de qualidade servido diária e gratuitamente para os imigrantes e clandestinos (maioria muçulmana) da cidade. Pouca gente sabe disso, mas é absoluta verdade. Os fins justificam os meios.

Minha irmã jogando moedinha na Fontana di Trevi para voltar a Roma.
Se divertiu com a tradição, mas a intenção principal estava no coração.

O presépio da “cidade-presépio” deverá ser visto de longe, do meio do rio, iluminado de noite por tochas e lamparinas, tendo já um céu natural com as 3 marias e Cruzeiro do Sul. Para chegar poderiam ser oferecidas duas vias de acesso: uma com as estações da via crucis (marcadas, sinalizadas, porém, sem gravuras, para não complicar o conceito indígena) para quem quisesse fazer a tal peregrinação e outra por estrada, de carro.

Deve contar com adequados e seguros recipientes para as moedinhas, ofertas e pedidos de graça. Os nativos da região poderiam oferecer frutas e animais para leilão. Depois de reformadas as igrejas e capelas, a renda do presépio seria aplicada de forma responsável em comunidades carentes e indígenas.

Para ser um local que atraia visitas, tudo dever ser realmente bonito e harmonioso. Será preciso encontrar um Michelangelo tupiniquim para esculpir em barro as imagens. Nada talhado a machado. Devem ser perfeitas! Creio que não precise explicar a diferença entre imagem e ídolo de barro.

No mercadinho do meu outro post, seriam vendidas miniaturas do presépio, camisetas com foto e todo tipo de souvenir  da cidade que conseguirem imaginar e criar.

- Problema. O Natal é uma vez por ano. – É, mas a cidade é presépio o ano inteiro. - E quem quer saber de presépio nos outros meses? - Quem tem algum pedido ou graça para alcançar, ou seja, uma romaria! – E quanto custaria construir isso? – Pouco. Palha, madeira, barro, cimento, um arquiteto, um paisagista, um escultor... o que mais? Basta diminuir o número de carnavais no ano, mantendo, incentivando e divulgando aquele que realmente representa a cidade, ou seja, do mascarado Fobó (outra potencial fonte de renda), que o dinheiro aparece. Foi mal? Corrige.

- A cidade espera descobrir uma mina de ouro... - Mas ela está , no nariz de todos! Desce e sobe o rio todo santo dia. É só jogar a rede de pescar navio e garimpar!

- Parintins faz.

- Pois é. Tem que ter cuidado com o nome que a Santa vai ganhar do povo. Acho que Nossa Senhora dos Pauxis soa... digamos... estranho. Talvez ficasse melhor Nossa Senhora dos Tapuios. Sim, gostei! Como todas as outras, esta também filha da querida padroeira da cidade-presépio, Sant'Ana. A Sagrada Família: N. S. Tapuia, S. José Tapuio e Curumim Jesus.

Termina aqui nossa viagem. Pode soltar o cinto. Fiquei feliz pela tua companhia nesse louco trajeto onírico. Valeu!

Desenho: Kanton
Técnica: traço nanquim & photoshop

Neste link, presépios peruanos.

Nota: Acredite quem quiser, a ilustração final e o link foram encontrados e acrescentados ao blog no dia 24/09/10, muito depois de escrito e publicado o texto, pesquisando o tema na Internet. Incrível mesmo foi a presença da arara-azul no cenário. Será ela a fonte de inspiração? Amém.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

MADE IN ÓBIDOS

Pronto, surtou de vez! Dirão alguns. Não me importo. Aliás, nunca me importei muito com o que pensam ou deixam de pensar. Agora então, depois de certa idade e vivência, menos ainda.

Aproveitando o tempo livre que tenho no momento enquanto me recupero de uma recente cirurgia, entre outras coisas, escrevo este Diário.

Hoje resolvi compartilhar algumas idéias malucas, tipo aquela em que o cara observou que todo curativo era feito com esparadrapo e algodão, juntou os dois, inventou o Band-Aid e ficou rico. Simples assim.

- Huuummm... mas idéias como essas não se dividem com ninguém e se fica rico também. - Verdade! O problema é que já sou rico (de amor, carinho, família e amigos sinceros e certos nas horas incertas - verdadeiro tesouro!), o tempo passou, não realizei e, sendo presunçoso, penso que, se pelo menos uma vingar, pode gerar riqueza para alguns empresários malucos ou, melhor ainda, para uma inteira coletividade.

O texto é longo. Lá vai história...

No dia 04/07/2010 ficamos sabendo que o Papa celebraria uma Missa em uma cidadezinha chamada Sulmona, na província de Aquila, Itália. Meu filho, como integrante do Coro que acompanha o Pontífice, faria a viagem com o grupo. Como sempre, fui para a Internet pesquisar onde era a cidade, o hotel que ele iria ficar etc. Surpresa! Descobri que Sulmona fabrica o melhor doce "confetti" do mundo! Não pensei duas vezes. Família no carro, lá fomos nós conhecer a cidade e conferir o produto.


Para entender a receita, ver os diversos tipos, as embalagens, lojas, fábricas, turismo e dinheiro que os docinhos geram, basta digitar em qualquer site de busca "confetti sulmona". Não fosse essa uma característica da cidade, a gente talvez nunca pisasse lá, pois o Papa e o Coro vemos e escutamos no Vaticano.

Praticamente cada cidadezinha italiana tem alguma coisa que atrai turismo. A pizza da Puglia é famosa pela cebola, mas para comer a melhor pizza de cebola do mundo tivemos que ir a uma minúscula cidade chamada Modugno, na província de Bari. A pimenta nos fez visitar cidades na Calabria e o molho "alla bolognesa" motivou a família a festejar o aniversário da minha filha em Bologna.


Isso sem falar de museus, monumentos históricos, religiosos, produtos artesanais e industrializados como instrumentos musicais, carros etc.

Onde quero chegar? Em Óbidos, cidadezinha pobre nos canfundós da Amazônia, localizada na parte mais estreita do maior rio do mundo com intenso tráfego marítimo ligando as duas maiores e mais importantes capitais da região norte do Brasil: Belém e Manaus.

Será que não tem nada naquela parte do planeta que obrigue quem por ali passa a parar na cidade e lá deixar boa grana? Ah, tem sim! Basta uma idéia maluca ou produto que só exista lá. Eis uma pequena lista.

Pense um bago de farinha de tapioca. Agora, pense esse bago crocante coberto de chocolate. Eureka! Temos um diamante! Quase. Falta o segredo que contarei no final.

Um italiano inventou um chocolate cuja fórmula é como a da Coca-Cola: podem até tentar imitar, mas nunca farão igual. Graças a esse produto, Michele Ferrero está na Forbes 2010 como um dos homens mais ricos do mundo. Tem no Brasil, em qualquer grande supermercado.


Também me chamou atenção outro produto que vi aqui. Um yogurt que vem em uma embalagem dividida em dois compartimentos. No menor tem pequenas bolinhas de chocolate e na maior o yogurt. A embalagem tem uma dobra que permite virar o conteúdo do primeiro compartimento direto no segundo e tomar o yogurt com flocos crocantes de chocolate.

Voltando para a tapioca e a beira do Rio Amazonas, com ela é possível, no mínimo, dois produtos.

O yogurt nada mais é que uma coalhada metida a besta. Então, basta pegar a tapioca coberta de chocolate, colocar na embalagem de um lado e, no outro, coalhada. Em anexo, um envolpe de açúcar ou sal e uma colher pequena descartável, como as palhetas de tomar sorvete. Seria o preto no branco. Agora, o branco no preto. De um lado a farinha de tapioca simples e do outro açaí. Claro que para ambos seria necessário conhecimento de pasteurização, conservação etc. Tenho dúvida apenas se o açaí é produto carioca ou japonês e para usar precisa pagar "royalty". Se ainda for amazônico e do povo brasileiro, acho que dá pra fazer.

A embalagem, aliás, tudo deve ser biodegradável e que não cause nenhum dano ao meio ambiente se lançado no rio.

Cupuaçu. Pegue o suco, coloque em uma garrafinha (one way) e acrescente bolinhas de gás. Pronto o suco "frizzante" de cupuaçu! Se preferir, acrescente cachaça. Não presta? Ninguém nunca provou.

Vamos em frente.

Gosto de assistir na TV aos programas de televenda dos antiquários italianos. As bengalas para idosos são verdadeiras obras de arte que, dependendo da origem, ano, adornos e contornos pode ultrapassar o valor de 5000 euros!

Óbidos produz uma bengala original, feita do pênis do boi. O acabamento é ruim, mas se a ela for aplicada a arte de um artesão, um detalhe em madeira para ajudar a dar suporte (uma vez que o material original não goza mais de tanto vigor), dificilmente não faria qualquer gringo pagar, no mínimo, 100, 150 reais (30, 50 euros) pela originalidade do produto. Portanto, sugiro aos criadores de gado da região desviar um pouco os olhos das potrancas e vacas e prestar atenção no cornudo. É possível que algum dinheiro esteja indo pro brejo, inclusive nos chifres que, se trabalhados com arte, podem se transformar em originais, preciosos e rentáveis "souvenirs" musicais.

Lembro dos doces de tamarindo em formato de bichos recobertos de açúcar e também uma geléia transparente com motivos decorativos. Produtos prontos. Para estes basta apenas a arte final em grande escala, como os "confetti" de Sulmona.

Quanto um turista pagaria por um pequeno peneiro de palha repleto de pitombas selecionadas (grandes, doces, bonitas) e geladas?

A lista não termina e eu preciso terminar o texto. Tem ainda idéia maluca para tucumã, bolinho de piracuí, molhos de pimenta, farinha, castanha-do-pará, ingá, bacuri, banana, pitanga, cerâmica, armas e ornamentos indígenas, espinha de peixe, casco de tartaruga, queijos, pães, cocadas, camarão, rala-rala, beiju, cuias de tacacá, sorvete, picolé, iguarias das comunidades italianas (pizza de pirarucu, calzone de pato-no-tucupi com jambu, tapioquinha no leite-de-coco, recheada de "nutella" e coco ralado, servida na folha de bananeira, já pensou?) e judaicas residentes no município, Guaraná FRAN (será que ainda existe a fórmula?) etc.

Pizza de Bacalhau da Noruega.
Trocando por Pirarucu da Amazônia, alguém já provou?

Passemos ao SELO DE QUALIDADE. Nada disso vai fazer ninguém parar em Óbidos se não existir algo que faça a diferença, pois é de esperar que logo tudo seja copiado e imitado. Prontinho!


Com tecnologia necessária para evitar falsificação.

Nada de siglas e abreviações. Uma coisa que o nativo de Óbidos tem para exportação é talento para o humor. Imaginemos a sigla P.O.O. para "Produto Original Obidense" no selo. Vai que um turista come alguma coisa estragada no navio e, ainda sem passar mal, visita a cidade, come algum produto obidense de ótima qualidade e morre na cidade. A sigla rapidamente passaria para "Provoca Óbito em Óbidos". Nem pensar! Para ganhar boa fama precisa muito tempo, mas para acabar com ela, alguns poucos segundos.

Nem vale a pena se preocupar com a imitação espoca-bode. Na avenida principal e no ponto mais nobre só tem uma cidade: ÓBIDOS.

A maluquice teria que gerar riqueza para toda a sociedade local. Chegamos aos caras: Políticos. Precisariam trabalhar um pouquinho para:

1. Firmar convênios com Universidades e centros de pesquisa para obtenção de tecnologia, know-how e cérebros científicos capazes de transformar idéias malucas em produtos e dinheiro.
2. Criar um polo interno produtivo municipal e um espaço na beira do rio, moderno, agradável, de fácil acesso, que não tire a vista da cidade, mas, ao contrário, a faça ainda mais bonita e atraente, para a construção do "MERCADINHO OBIDENSE", com barracas simples, de madeira, padronizadas, limpas, higiências e ocupadas por pessoas selecionadas tendo como base única e exclusivamente o mérito, talento, experiência e treinamento para a produção daquilo que pretende vender.
3. A propaganda em grande escala por toda a região e mundo.

- Quanto custaria isso? - Hum... refaça a pergunta. - Qual a relação custo x benefício do investimento? - Melhorou. Encomende um estudo e descubra.

Vai ter sempre a turma do contra que dirá que o belo de Óbidos é ser como é... que o cabloco lá quer saber disso... que basta jogar a vara, pegar o peixe e dormir a sesta... que todo mundo é feliz assim... blablablá... Pode ser. Não sei se pode dizer o mesmo dos tantos obidenses que estão nas periferias das grandes cidades lutando e sobrevivendo sabe lá como.

Até quando vamos exportar matéria-prima a preço de banana e importar produtos industrializados a preço de ouro? O país é rico, a região amazônica é riquíssima, mas a gente é pobre. Tem alguma coisa que não enquadra. O povo pode continuar ali, conformado, sentado à beira do rio, com a boca cheia de dentes (ou não), esperando que aconteça um milagre, descubram petróleo, ouro e bauxita que, quando acabam, deixam nada além de crateras e lembranças de um ciclo, ou tomar conta do destino e fazer acontecer um futuro rico e sustentável enquanto for rica e sustentável a natureza que lá está.

Enfim, o segredo prometido: TRABALHO + PAIXÃO.

Idéias malucas concretizadas, se vingarem algumas, certamente, dentro de alguns anos não passará um navio que o comandante não seja obrigado a encostar pelo menos uma hora no "MERCADINHO OBIDENSE", da cidadezinha rica nos cafundós da Amazônia.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

GRAVIOLA GLOBAL

A mesma planta, o mesmo canal, a mesma rede, o mesmo sangue (humano). Porém, parece que no azul, do hemisfério norte, rico, que fala Inglês, faz pirataria e explora a natureza brasileira, a graviola combate o câncer e faz milagres, enquanto no vermelho, do hemisfério sul, pobre, honesto e que mal sabe falar, aumenta as células cancerígenas e provoca ínúmeros malefícios.

Dois videos, dois contos "globais", apenas uma verdade. Qual? Mistério...



Vai, Brasil, mostra tua cara! Quero também ver quem paga pra gente ficar assim... desafinado.

domingo, 12 de setembro de 2010

JACKPOT

Está em jogo esses dias na loteria italiana SuperEnalotto o maior prêmio do mundo! A singela bagatela de € 136.100.000,00. Algo em torno de R$ 300.000.000,00 ou 3 vezes o maior prêmio pago pela Megasena. Joguei € 2,00.

Imaginando que meu investimento se transforme em uma fortuna de fato e que venha tudo (sim, tudo!) para mim, o que fazer com todos esses zeros?

Eis algumas possibilidades.

Na parte mais estreita do Rio Amazonas tem uma cidadezinha muito agradável, perdida no meio da selva. Não tem grandes riquezas mineirais ou atrativos turísticos (pelo menos não descobriram ainda). Para ela, dedicaria 4 projetos:

1. Um Hospital com Poliambulatório, devidamente equipado, moderno e competente
2. Uma Escola Técnica que, além do curso de Música (claro!), ofereceria formação para a realidade local (Agricultura, Aquicultura, Artesanato, Magistério, Enfermagem etc.)
3. A implantação de pelo menos uma Faculdade pública
4. Cooperativas

O objetivo principal seria fazer com que o povo nativo não precisasse abandonar o paraíso por qualquer motivo e, ficando, contribuísse para um verdadeiro desenvolvimento social e econômico da região. Além, claro, de permitir que eu pudesse comer ovo de Tracajá todo ano sem peso na consciência, pois a espécie estaria se reproduzindo também em cativeiro.

Gostaria ainda, com a devida aprovação da sociedade, fiéis e clero, devolver o local do Coro na igreja Matriz, demolido que foi após o Concílio Vaticano II, e equipar o templo com um belo Órgão e Coral para as Missas solenes.

A cidadezinha hoje praticamente administra massa falida, mas não deixa faltar circo para os habitantes. Importa músicos e realiza carnavais durante o ano.

Na capital, injetaria alguns zeros na Fundação Carlos Gomes e lutaria para que o "Instituto" voltasse a ser "CONSERVATÓRIO" com todas as letras maiúsculas.

Feito isso, acho que ainda me sobrariam muitos zeros. Aí, sorry periferia, viajaria pelo mundo, compraria minha Ferrari, meu Piano Steinway & Sons e viveria feliz para sempre.



Certamente minha filha, ao ler isto, dirá: Sonha, Cinderelo...

Bem, sonhar é uma das poucas coisas pelas quais não se paga nesta vida.

E viva o JACKPOT italiano!!!